As Eleições 2026 já começaram antes de o eleitor chegar à urna. Desde janeiro, pesquisas precisam ser registradas. Em março, deputados puderam mudar de partido dentro da janela prevista em lei. Em julho, começaram as convenções que definem candidaturas e alianças. Em agosto, os pedidos de registro chegam à Justiça Eleitoral e a propaganda é liberada. O voto será dado em outubro, mas o tabuleiro político é montado durante meses.
Em Goiás, 5.081.043 pessoas estão aptas a votar. O número oficial foi divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral em julho. Desse total, mais de 4,7 milhões possuem biometria cadastrada, o equivalente a 93,75% do eleitorado estadual.
O eleitor goiano escolherá representantes para seis cargos. Além de presidente e governador, estarão em disputa duas vagas para o Senado, porque em 2026 serão renovados dois terços da Casa. Também serão escolhidos deputados federais e estaduais.
A quantidade de nomes na urna e a combinação entre eleições majoritárias e proporcionais tornam o pleito mais complexo do que uma eleição municipal. O voto não decide apenas quem comandará os governos federal e estadual. Ele define quem produzirá leis, fiscalizará despesas, aprovará orçamentos e participará de decisões que afetam saúde, educação, segurança, impostos, infraestrutura e políticas sociais.
Quando serão as Eleições 2026
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026. Caso nenhuma candidatura à Presidência da República ou ao Governo de Goiás alcance a maioria exigida, haverá segundo turno em 25 de outubro.
O segundo turno existe apenas para os cargos de presidente e governador. Senadores e deputados são definidos no primeiro turno.
As convenções partidárias começaram em 20 de julho e podem ocorrer até 5 de agosto. É nesse período que partidos e federações escolhem formalmente suas candidaturas e deliberam sobre coligações nas disputas majoritárias.
O prazo para os pedidos de registro de candidatura termina em 15 de agosto. A partir de 16 de agosto, começa a propaganda eleitoral, inclusive na internet.
Essas datas criam uma diferença importante entre pré-candidato e candidato. Antes da escolha em convenção e do pedido de registro, a pessoa pode se apresentar como pré-candidata, participar de debates e defender ideias, desde que respeite as limitações legais. A campanha formal, com pedido explícito de voto dentro das regras, começa no período autorizado.
Quais cargos estarão em disputa
Na urna, o eleitor votará na seguinte sequência:
- deputado federal;
- deputado estadual;
- senador — primeira vaga;
- senador — segunda vaga;
- governador;
- presidente da República.
A ordem merece atenção porque o eleitor digitará dois votos para o Senado. É possível escolher dois candidatos diferentes. A repetição do mesmo número não transforma um voto em dois; o segundo voto precisa ser destinado a outra candidatura válida.
Para deputado federal e deputado estadual, também existe o voto de legenda. Ao digitar apenas o número do partido, o eleitor direciona o voto para a legenda ou federação na disputa proporcional.
Nos cargos proporcionais, não basta olhar apenas para a votação individual. O número de cadeiras conquistadas depende do desempenho do partido ou da federação, dos quocientes previstos na legislação e da votação dos candidatos. Por isso, votos dados a diferentes nomes da mesma legenda contribuem para o resultado coletivo daquela chapa.
Mais de 5 milhões de eleitores em Goiás
O cadastro de 2026 mostra um eleitorado estadual numeroso e diverso. As mulheres são maioria: 2.691.700 eleitoras, cerca de 53% do total.
O voto é obrigatório para 4.475.116 pessoas. Para outras 605.927, é facultativo. Estão nesse grupo jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos.
Goiás possui 61.116 eleitores de 16 e 17 anos. O dado chama atenção porque a participação juvenil caiu em relação a 2024. O cadastro também mostra aumento de registros autodeclarados de pessoas quilombolas e transgênero, o que melhora a capacidade da Justiça Eleitoral de retratar a diversidade do eleitorado.
A faixa etária mais numerosa é a de 40 a 44 anos, com mais de 519 mil pessoas aptas a votar.
Esses dados não determinam o resultado, mas ajudam a compreender a disputa. Campanhas precisarão conversar com um eleitorado majoritariamente urbano, conectado à internet e distribuído entre uma capital populosa, cidades metropolitanas, polos regionais e pequenos municípios.
O que muda com duas vagas para senador
Em eleições gerais, a renovação do Senado alterna entre uma e duas vagas por estado. Em 2026, Goiás escolherá dois senadores, cada um com dois suplentes.
O mandato de senador dura oito anos. A duração amplia o impacto da escolha, pois os eleitos participarão de decisões nacionais durante dois ciclos presidenciais completos.
O Senado vota projetos de lei, emendas constitucionais, indicações de autoridades, limites de endividamento e matérias relacionadas aos estados. Também participa de julgamentos políticos previstos na Constituição.
A existência de duas vagas modifica a estratégia eleitoral. Candidaturas podem disputar eleitores semelhantes sem necessariamente se excluírem, porque cada pessoa terá dois votos. Ao mesmo tempo, alianças partidárias podem lançar chapas com nomes complementares.
Convenções, registros e substituições
A convenção partidária é o momento em que o partido ou a federação formaliza suas escolhas. A presença de uma pessoa nas pesquisas ou em atos públicos não garante que ela estará na urna. É necessário passar pela decisão partidária e solicitar o registro.
Após o pedido, a Justiça Eleitoral analisa documentação, filiação, domicílio eleitoral, condições de elegibilidade e eventuais causas de inelegibilidade. O registro pode ser contestado.
Durante esse período, o noticiário precisa diferenciar situações jurídicas. “Candidatura anunciada”, “nome aprovado em convenção”, “registro solicitado”, “registro deferido” e “candidatura sub judice” não significam a mesma coisa.
Para o eleitor, acompanhar essas etapas evita confusão provocada por peças de campanha ou publicações que apresentam como definitiva uma situação ainda pendente.
Propaganda eleitoral e internet
A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto. A partir daí, candidaturas podem pedir votos de forma explícita dentro dos formatos permitidos.
A internet terá papel central, mas não é um ambiente sem regras. O Tribunal Superior Eleitoral proíbe disparos em massa sem consentimento, telemarketing eleitoral, propaganda em outdoors e assédio eleitoral no ambiente de trabalho.
Conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial estão sujeitos a regras específicas de identificação e responsabilidade. A Justiça Eleitoral também atualizou normas para combater materiais sintéticos enganosos, manipulações de imagem e voz e republicações de conteúdos já retirados por decisão judicial.
O desafio não é apenas reconhecer uma montagem evidente. Vídeos curtos, cortes fora de contexto, áudios artificiais e legendas falsas podem circular com velocidade maior do que a checagem.
Antes de compartilhar, o eleitor deve observar a origem, procurar o conteúdo completo, verificar a data e conferir se veículos confiáveis ou fontes oficiais confirmam a informação.
O que emissoras e comunicadores precisam observar
Desde 30 de junho, emissoras de rádio e televisão não podem transmitir programas apresentados ou comentados por pré-candidatos. A regra busca impedir exposição privilegiada no período eleitoral.
Veículos jornalísticos continuam autorizados a cobrir campanhas, entrevistar candidatos, realizar debates e divulgar informações de interesse público. O cuidado deve estar na igualdade de tratamento, na separação entre jornalismo e propaganda e na identificação de conteúdo patrocinado.
Para portais de notícias, 2026 exigirá atenção adicional a títulos, imagens e vídeos. Uma informação sobre pesquisa eleitoral, por exemplo, deve indicar registro, instituto, período de coleta, amostra, margem de erro e contratante.
Como consultar situação, local de votação e candidaturas
O eleitor pode utilizar o aplicativo e-Título e os canais oficiais da Justiça Eleitoral para:
- consultar a situação do título;
- verificar o local de votação;
- emitir certidões;
- pagar débitos;
- justificar ausência;
- acessar orientações oficiais.
O sistema DivulgaCandContas permite consultar candidaturas, declarações de bens, receitas, despesas e a situação dos pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral.
O TRE-GO também mantém páginas para pesquisas registradas, propaganda eleitoral, prestação de contas e denúncias. Irregularidades podem ser encaminhadas pelo aplicativo Pardal, conforme as regras do serviço.
Calendário essencial
20 de julho a 5 de agosto: convenções partidárias
15 de agosto: prazo final para pedidos de registro
16 de agosto: início da propaganda eleitoral
4 de outubro: primeiro turno
25 de outubro: eventual segundo turno
Até 20 de agosto: períodos específicos para voto em trânsito e transferências temporárias previstas no calendário
Alguns prazos possuem requisitos próprios. O eleitor deve consultar a Justiça Eleitoral antes de solicitar qualquer mudança temporária.
Como avaliar uma candidatura além da propaganda
A campanha tende a concentrar atenção em frases, vídeos e confrontos. O eleitor pode ampliar a análise com perguntas objetivas:
- Qual é a trajetória pública e profissional do candidato?
- As propostas estão dentro das competências do cargo?
- Como pretende financiar o que promete?
- Há histórico de votação, gestão ou atuação legislativa?
- Quem forma a aliança política?
- Quais interesses econômicos e partidários sustentam a candidatura?
- O discurso se mantém quando confrontado com dados e decisões anteriores?
Promessas para governador devem ser analisadas dentro das atribuições estaduais. Propostas para senador ou deputado precisam considerar que esses cargos não administram diretamente hospitais, escolas ou obras como chefes do Executivo.
O voto define mais do que os ocupantes dos cargos
As Eleições 2026 determinarão a relação de forças entre governo e oposição, a composição da Assembleia Legislativa, a bancada federal de Goiás e a representação do estado no Senado.
Essas escolhas influenciam aprovação de leis, fiscalização, emendas, transferências de recursos, articulação com o governo federal e capacidade política do próximo governador.
O eleitorado goiano chega ao pleito com maior cobertura biométrica e amplo acesso digital, mas também exposto a um volume crescente de propaganda, desinformação e conteúdo sintético.
A melhor defesa continua sendo a informação verificável. Antes do voto, há tempo para comparar propostas, pesquisar trajetórias, entender as competências de cada cargo e acompanhar as decisões partidárias que definirão quem realmente estará na urna.



